O Candomblé é a religião da vida, por isso não estamos preocupados com qualquer ideia de salvação. Nós celebramos a vida e as suas coisas boas, a fertilidade, a sabedoria, a fartura, a boa mesa, a linhagem, a Natureza… No terreiro somos um só, uma família onde o compromisso, a humildade e a união são fundamentais. O abraço tem de estar sempre presente, pois o terreiro é, para muitos, a família, o lar, que não têm noutro lugar. /Alagbe Junior de Oxaguian


O candomblé para mim é o encontro dos orixás na natureza, nas folhas e nas matas, e em tudo que vive e tem o seu ponto de força. As cores, os cheiros das comidas e os som das atabaques invocando as forças sagradas dos Orixás que vivem na natureza e no Tempo, fazer parte da nossa vida de cada dia nas nossas casas. E que os nossos Orixás podem vir dançar e abraçar os seus filhos. Orixá é amor e vida e o ar que nós respiramos.E que somos sentinelas que cada um traz uma parte para cumprir a missão. Juntos somos mais forte. O candomblé é Família e tradição e ancestralidade respeitando os mais velhos e os mais jovem. / Claudio de Logunedé


Pelo Candomblé viajo…Viajo no CAMINHO e vou… em direcção ao Mar, para dançar com a Dona do meu Ori, Yemanjá que juntamente com Oxalá e Oxossi sempre sussurram ao meu coração. Viajo no TEMPO e vou… ao encontro dos meus ancestrais, repetindo os seus gestos, as suas palavras, os seus pensamentos e assim juntos somos Agora e Sempre. Viajo no CORAÇÃO e vou… em Família nessa união de laços da vivência do Mundano Sagrado em que o Gesto é Vida. Viajo na MISSÃO e vou… percebendo que já nasci abençoado, de missão dada, como cada um de nós, todos criados para fazer a diferença.Viajo no SER e vou… vivendo a sacralidade das folhas, dos animais, dos rios e mares, das florestas, do ar, do céu, do arco-iris, da justiça, da beleza, de tudo o que os meus olhos vêem ou o meu coração sente. O Candomblé é essa Viagem. / Ogan Henda de Yemanjá


Candomblé significa re-nascimento. É Memória, Tradição, Família… os ORISAS apenas reconhecem quem os cultua com Amor. / Claudia de Oxaguian


Candomblé, uma palavra tão simples e no entanto tão cheia de significados… candomblé é amor, é humildade, é ancestralidade, é tradição, é respeito, é simplicidade, é fé, é vida, é força que nos cria nos move e nos une, é família, é viagem iniciática, é compromisso, é orientação, é união, é religião … e tantas coisas mais. Hoje sinto com toda a certeza que caminho na direção certa, em que o que importa não são o número de passos, mas sim que em cada passo que dou, dou com amor no coração, dedicação e alegria na alma, com a certeza que até ao fim da minha vida, continuarei a dar passos neste maravilhoso caminho. Muito feliz e orgulho por fazer parte desta família, onde a palavra “família” assume o seu verdadeiro e total significado e sentido. Muito grato ao Òrìsà por me ter guiado até à CPCY e ser filho de quem sou, A Dupé Mãe Sussu por existir. / Jô do “Tio”


Quando conheci a CPCY eu era um abiã que pouco ou nada sabia sobre Candomblé. Lembro como se fosse hoje daquele domingo em que cheguei a comunidade e fui muito bem recebido pela Iyá e por todos, meu coração estava cheio tamanha a paz e a energia que senti ao adentrar os Portões da Herdade de Sesmaria Velha, era como se eu tivesse regressado a Casa depois de muito tempo distante, sentia me parte daquele lugar, como se tratasse de um Reencontro. Desde aquele dia eu comecei a minha trajetória engatinhando como um bebé rumo ao resgate da minha ancestralidade, através dos ensinamentos e da vivência em comunidade comecei a aprender coisas básicas como em qualquer casa aprende um Abiã. Ali o meu corpo aprendeu a curvar-se em reverência ao sagrado, aprendi a primeira cantiga, o primeiro Pao, aprendi sobre hierarquia, sobre respeito aos mais velhos etc. À medida que o tempo passava mesmo sendo um Abiã eu ia me tornando uma pessoa melhor, com ajuda da Mãe e de todos os meus irmãos.
Mesmo tendo tudo, um dia resolvi deixar de ouvir a Mãe e dar ouvidos a outras pessoas, e mesmo sendo alertado pela Mãe resolvi me aventurar por novos e desconhecidos caminhos, não demorou muito para ver que tinha feito a escolha errada, mas voltar atrás e admitir que errei e tentar reparar o erro por mim cometido, implicaria em engolir o Orgulho, passar por cima de tudo e no mínimo pedir perdão a quem sempre esteve correto, e eu ainda não tinha maturidade para isto, achei mais fácil seguir.
Passaram-se vários anos e durante este tempo passei por muitas coisas e por algumas casas, o que me trouxe sérios problemas, não foram poucas as vezes que me lembrei das palavras e dos concelhos sábios da Mãe , muitas vezes senti falta do carinho e da sabedoria dela que sempre me auxiliava, da união e da humildade de todos meus irmãos , muitas vezes me senti deslocado, aquela sensação de paz de reencontro que sentia antes já não mais existia, o conceito de família muito menos , a força, a união. Me via em meio a uma nova realidade antes tão criticada e abominada por mim, estava entre eles, mas não era um deles.
Hoje venho através desta carta formalizar, embora em palavras não consiga expressar o que sinto, Um pedido de Perdão a Oxum, Orixá da Casa, a Mãe Sussu, A meu Pai Ogan Junior de Oxoguian, A mãe Cláudia e ao meu Pai Ogan João e a todos meus Irmãos da CPCY. Sei que pedir Perdão não vai apagar meus erros nem tão pouco me safar das consequências de tal ato, mas é uma forma de demostrar o quanto eu sinto por ter cometido tal erro e virado as costas um dia a todos Vocês. / Um Filho

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