Comunidade Portuguesa do Candomblé Yorùbá

Sobre

A CPCY é uma Pessoa Coletiva Religiosa reconhecida pelo Ministério da Justiça como representante Institucional do Candomblé e dos Cultos de Matriz Yorùbá em Portugal. É uma instituição religiosa sem fins lucrativos, que visa a Defesa, Preservação e Divulgação das formas de culto aos Orixá e Vodun.

Origem

A CPCY consegue o seu reconhecimento em Janeiro de 2010, após um processo moroso junto do Estado Português. A Comunidade nasce com o objetivo de ver os cultos aos Orixá e Vodun oficialmente reconhecimentos como parte da sociedade portuguesa, em igualdade de dignidade perante outras religiões.

Templo

Ilé Àṣẹ Ìyá Odò Irandiran Ìyá Násò Ọká , assim é o nome completo do nosso “terreiro”, templo central da CPCY, localizado em Benavente, na sede da CPCY. É uma Casa de Candomblé Tradicional de Matriz Bahiana, com as suas origens na Casa Branca do Engenho Velho. É liderado pela sua fundadora, Ìyá Sussu de Ọ̀ṣun.

Os Nossos Princípios

Memória

Universalidade

Comunidade

Respeito

Somos uma Instituição e Casa de Candomblé com história. A nossa linhagem remonta ao começo do Candomblé, quando Ìyá Adetá e Ìyá Akalá se envolveram na fundação do “Candomblé da Barroquinha”, em finais do século XVIII (18) e começo do século do século XIX (19), e que viria a fixar-se com a chegada de Ìyá Násò Ọká, Francisca da Silva, à Bahia, sacerdotisa do culto imperial de Ṣàngó (Xangô) em Ọ̀yọ́, já no começo do século XX, levando à mudança da comunidade para Engenho Velho da Federação, fundando a Casa Branca do Engenho Velho – Ilé Àṣẹ Ìyá Násò Ọká, juntamente com o seu marido, José Pedro Autran (porventura Bàbá Ásíká) e com a colaboração do eminente Rodolpho Martins de Andrade, Tio Bámgbóṣé Obítikó. Iniciou-se uma longa linhagem, que incluiu Ìyá Marcelina Ọbatosí, Ìyá Júlia Ọmọnikè, Ìyá Ursulina “Sussu”, Tia Massi Iwinfunké e Ìyá Nitinha, que viria a ser a iniciadora da nossa Ìyá Sussu. A linhagem familiar de Tio Bámgbóṣé permaneceu em África e na Bahia, com as suas filhas, netos e netas, até chegar a Bàbá Air José Bámgbóṣé, pessoa que também contribuiu determinantemente para o percurso religioso da nossa Sacerdotisa.

A Nossa Linhagem

O Candomblé é um resgate de Ancestralidade e uma jornada espiritual Africana.

Ìyá Sussu

o perfil da nossa líder espiritual, a nossa Mãe, através da CARROSSEL MAGAZINE

Um pouco da trajetória de Ìyá Sussu, traçada pela CARROSSEL MAGAZINE, um projeto de um coletivo de jornalistas que esteve no ar no começo da década passada.

O que encontra na CPCY

Consultas de Búzios

O jogo de búzios, o mẹ́rìndínlógún, é a consulta do oráculo sagrado que traz as mensagens dos Òrìṣà para a sua vida. A consulta é feita mediante marcação, através dos contactos disponíveis.

Acompanhamento Espiritual

O Candomblé é uma religião de participação, de comunidade, de vivência, de família espiritual. Aos membros integrantes da Comunidade é dado o devido acompanhamento ao longo do seu trajeto espiritual e iniciático.

Reconhecimento de Terreiros

Enquanto instituição representante do Candomblé junto do Estado Português, a CPCY tem capacidade jurídica para reconhecer direitos a outros terreiros. No entanto, isso é feito através da aceitação de um conjunto de requisitos específico, uma vez que o propósito é a salvaguarda da dignidade do Candomblé.

A Vivência do Candomblé

A vivência religiosa no Candomblé é uma experiência única e profundamente enraizada em rituais e etapas que ligam os praticantes à comunidade e a si mesmos, despertando o seu “eu” primordial e estabelecendo uma ligação essencial com o Orixá que os rege. A participação ativa na vida da sociedade religiosa, conhecida como terreiro, está diretamente ligada à etapa iniciática, que marca o ingresso efetivo na comunidade religiosa.

A vivência religiosa no Candomblé é enriquecedora e abrangente, envolvendo não apenas a participação nos rituais e celebrações, mas também o envolvimento ativo na vida comunitária do terreiro. É através dessa participação engajada que os praticantes se relacionam com a sua espiritualidade, desenvolvem uma compreensão mais profunda de si mesmos e se unem em comunhão com os Orixás.

Enfim, o Candomblé é uma religião iniciática que valoriza a vivência religiosa como uma jornada de relação com o divino e de autodescoberta. No terreiro, as tarefas são compartilhadas por todos, enfatizando a responsabilidade coletiva e a importância da colaboração mútua. Ao participar ativamente na vida da comunidade religiosa, os praticantes fortalecem sua ligação espiritual e encontram um espaço de acolhimento e união, onde a presença dos Orixás é reverenciada e celebrada.

PALAVRAS DA ẸGBẸ́

Ọ̀gá Oloyè Alagbe e Ẹlẹ́mọ̀ṣọ́ Junior de Òṣàgiyán

O Candomblé é a religião da vida, por isso não estamos preocupados com qualquer ideia de salvação. Nós celebramos a vida e as suas coisas boas, a fertilidade, a sabedoria, a fartura, a boa mesa, a linhagem, a Natureza… No terreiro somos um só, uma família onde o compromisso, a humildade e a união são fundamentais. O abraço tem de estar sempre presente, pois o terreiro é, para muitos, a família, o lar, que não têm noutro lugar. Mas o Candomblé não é só acolhimento, é antes de tudo memória ancestral, resistência, cosmovisão, um espaço de tradição e continuidade. Por isso sou ativista do Candomblé tradicional, porque o Candomblé acolhe todos e vive no mundo, mas não pode ser alterado pelas dinâmicas do mundo. Quem acaba de chegar não pode ter a pretensão de ditar novas regras e ao mesmo tempo querer saudar os Ancestrais.

Ọ̀gá e Afikọdẹ Henda de Yèmọjá

Pelo Candomblé viajo…Viajo no CAMINHO e vou… em direcção ao Mar, para dançar com a Dona do meu Ori, Yemanjá que juntamente com Oxalá e Oxossi sempre sussurram ao meu coração. Viajo no TEMPO e vou… ao encontro dos meus ancestrais, repetindo os seus gestos, as suas palavras, os seus pensamentos e assim juntos somos Agora e Sempre. Viajo no CORAÇÃO e vou… em Família nessa união de laços da vivência do Mundano Sagrado em que o Gesto é Vida. Viajo na MISSÃO e vou… percebendo que já nasci abençoado, de missão dada, como cada um de nós, todos criados para fazer a diferença.Viajo no SER e vou… vivendo a sacralidade das folhas, dos animais, dos rios e mares, das florestas, do ar, do céu, do arco-iris, da justiça, da beleza, de tudo o que os meus olhos vêem ou o meu coração sente. O Candomblé é essa Viagem.

Hwmbono Claudia de Òṣàgiyán

Candomblé significa re-nascimento. É Memória, Tradição, Família… os ORISAS apenas reconhecem quem os cultua com Amor.

Dofono Jô do Tio

Candomblé, uma palavra tão simples e no entanto tão cheia de significados… candomblé é amor, é humildade, é ancestralidade, é tradição, é respeito, é simplicidade, é fé, é vida, é força que nos cria nos move e nos une, é família, é viagem iniciática, é compromisso, é orientação, é união, é religião … e tantas coisas mais. Hoje sinto com toda a certeza que caminho na direção certa, em que o que importa não são o número de passos, mas sim que em cada passo que dou, dou com amor no coração, dedicação e alegria na alma, com a certeza que até ao fim da minha vida, continuarei a dar passos neste maravilhoso caminho. Muito feliz e orgulho por fazer parte desta família, onde a palavra “família” assume o seu verdadeiro e total significado e sentido. Muito grato ao Òrìsà por me ter guiado até à CPCY e ser filho de quem sou, A Dupé Mãe Sussu por existir.

Dofono Marta de Nàná

Na casa da Mãe Sussu,
O respeito nasce com o sol: Laroyé Mójúbá,
dá-nos permissão para entrar?
Na casa da Mãe Sussu,
Amarra-se o ọjà, enquanto se confunde o branco das saias, com as preces a Osalá.
Na casa da Mãe Sussu,
Bate-se cabeça e paô, cheira a terra molhada: Ewe Ossain, chegámos à sua morada?
Kó si ewé, kó sí Òrìsà,
E depois do pàdé
O ọ̀rọ̀ vai começar..
Na casa da Mãe Sussu,
Tem ògás dedicados que amam ensinar,
Yakekerê carinhosa para cuidar,
E abians inquietos para criar
Na casa da Mãe Sussu,
Leva-se a sério o ajeum
Acassá, amalá e acarajé,
E sempre lugar na mesa para mais um
Na casa da Mãe Sussu,
todos entram para ver,
mas apenas alguns ficam para viver
A casa da Mãe Sussu,
Recebe Òrìsà no xirê,
Porque não há terreiro como este,
Assim, com tanto Àṣẹ .

Abian Tica do Tio

Cheguei à CPCY em 2021 com uma enorme sensação de vazio e desconexão. Estou imensamente grata pelo acolhimento e encorajamento que recebi, assim como por ter encontrado um espaço seguro onde aos poucos, me fortaleço, através do (re)conhecimento das experiências dos meus ancestrais e da partilha desta jornada com a Família de Santo que aqui ganhei. Como abian, ainda estou em fase de aprendizagem, mas sinto que cada dia na Comunidade é uma oportunidade para crescer e evoluir espiritualmente. Tenho-me descoberto como filha do Orixá das palhas e tenho procurado aprender mais sobre as minhas raízes ancestrais africanas e resgatar a crença na humanidade e na capacidade de amar e ter compaixão, mesmo perante as divergências e as adversidades, transformando as feridas que nos assolam em pipocas. Saúde e Vida Longa à CPCY, em especial a nossa líder, Mãe Sussu 🤎

Abian Edna de ya

Antes de perceber o toque, sinto o coração disparar, quase como um susto uma vibração que me confunde. Percorro a roda com os olhos para encontrar nos meus irmãos o amparo, e com grande esforço copio os seus movimentos. A cada passo sinto me totalmente descoordenada e volto a procurar o equilíbrio da coreografia encarnada por todos, e que só pareço não conseguir acompanhar. Num impulso desisto de andar para a frente e deixo me levar em fortes passadas para trás, sinto me confusa e perdida mas simultaneamente irradiada de alegria pura. A minha cabeça em turbilhão procura uma lógica para o movimento dos meus braços e a audácia que passo a emanar. Sinto um misto de vergonha com poder e percebo que já não estou ali! Está escuro e estamos em guerra, ninguém se atreve a aproximar se de mim. Mas rápido acordo desse sonho porque não estou a dormir, e vejo os meus irmãos, e os meus mais velhos, e parecem felizes por mim, enquanto me esvazio de mim própria ao sentir sair de mim aquela que se confunde com a minha própria alma. Ainda não sei para onde vou, mas sei com quem vou!!! Epahey!!!!
Adupé o Iya Sussu!

Abian Aisha de Ọ̀ṣọ́ọ̀sì

No Candomblé encontrei a flecha que me faltava, a direção e o calor de uma grande família.

Somos pedaços desse lugar chamado Ilé, a casa da nossa espiritualidade

Fique por Dentro

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